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última atualização 20/06/2016

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Consciência negra, no Brasil...

Revista Criativa, 2003.

...e Barack Obama, nos EUA... Belasco-2


Discurso da vitória, vídeo 1, com legendas em português


Estados Unidos: da certeza à incerteza

[...] Não há, evidentemente, uma tradição norte-americana única ou um conjunto único de valores norte-americanos. Há, e sempre houve, muitos Estados Unidos: cada um de nós tem em mente e evoca o da sua predileção. Os Estados Unidos da escravidão e do racismo são uma profunda tradição norte-americana, ainda muito presente. Os Estados Unidos do individualismo, dos desbravadores do Oeste e de facínoras e pistoleiros impetuosos são também uma tradição e muito presente. Há ainda os robber barons e seus herdeiros filantrópicos e, finalmente, os wobblies e as revoltas de Haymarket, manifestações celebradas em todo o mundo exceto nos Estados Unidos, onde são uma tradição norte-americana e presente ainda hoje.

Sojourner Truth, discursando perante o Congresso Nacional de Mulheres em 1851 e perguntando, “Não sou uma mulher?”, é uma tradição norte-americana. Mas as sufragistas do final do século XIX, que reivindicavam o direito de votar argumentando que isso ajudaria a contrabalançar os votos dos negros e dos imigrantes, também são uma tradição norte-americana. Os Estados Unidos que recebem imigrantes de braços abertos e os Estados Unidos que os repudiam são, ambos, tradições norte-americanas. Os Estados Unidos que se unem em determinação patriótica e os que resistem a operações militares são também tradições. Não há uma essência aqui. Não há um “aqui” aqui. Como Gould bem lembra, é a variação, não a essência, que está no cerne da realidade. A questão é se a variação que existe entre nós vai diminuir, aumentar ou permanecer a mesma. No momento, ela me parece excepcionalmente elevada [...]

Immanuel Wallerstein. Os Estados Unidos e o mundo: as Torres Gêmeas como metáfora [fragmento]. Tradução de Carlos Afonso Malferrari. Palestra comemorativa feita pelo autor no Brooklyn College em 5 de dezembro de 2001.



Discurso da vitória, vídeo 2, com legendas em português


A manchete errada [fragmento]

“Eleito o primeiro presidente negro na história dos EUA.” Fora um evento dramático, Barack Obama vencerá as eleições da próxima terça-feira e os jornais - nos EUA, aqui, no mundo - estamparão variações desse tema nas suas manchetes de capa. A manchete óbvia é, contudo, a manchete errada. Obama não será um “presidente negro” e não seria nunca o “primeiro”, título que pertence ao branco Bill Clinton, conferido a ele pela escritora negra Toni Morrison.

Demétrio Magnoli, em Estadão.com.br, 30 de Outubro de 2008.




Em homenagem a tudo isso, eu publico a segunda parte da série do BELASCO em que o elenco é 100% negro, belo e excitante: IRMANDADE NEGRA.
[+ parte 1]

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terça-feira, 18 de novembro de 2008

Os novos bobos da corte

A partir do programa exibido no domingo, dia 16 de novembro.


“Bife, maldição, trombeta!”, grita um clone de Zé do Caixão para assustar uma senhora que interpretava o papel de manicure em um cemitério.
Muito humor, com pitadas de jornalismo sério, engajamento politicamente correto, imprensa marrom, colunas sociais e um sarcasmo [quase] cruel. As personagens do programa Pânico na TV trabalham para fazer um moderno folhetim multimídia nos mesmos moldes com que os antigos escritores realistas retratavam a sociedade de sua época. Eles satirizam tudo e todos, inclusive a si próprios, numa atuação em que a única coisa planejada é o improviso. Mas ao mesmo tempo sua intenção é questionar, por exemplo, a função social de uma premiação como a que é promovida todos os anos pela revista Contigo!, desconstruindo os valores que este grande veículo de comunicação de massa representam no imaginário popular. É uma crítica, isso, obviamente, é uma crítica! A cena em que um tipo de repórter-paparazzo corre atrás de uma barata, procurando uma entrevista exclusiva, foi inenarrável! Fazendo pouco caso de todo o mundo, como se de qualquer coisa/situação/idéia/pessoa fosse possível extrair bom humor. Tudo tem um lado bom? É esta a pergunta certa para entendermos tal comportamento: tudo tem um lado bom?
E nada deveria ser levado tão a sério. O riso sobre a própria desgraça sempre foi utilizado de maneira pedagógica na teledramaturgia, mas aqui eu faço uma ressalva. A ironia deve ser sempre usada com cautela, pois que, às vezes, só é entendida pelas pessoas bem [in]formadas, e, neste caso, perde seu caráter de crítica construtiva e assume apenas um tom apelativo explícito puro. Entretanto devo confessar que a carga apelativa dos quadros do Pânico na TV tem sido bem dosada e/ou bem fundamentada, desde que o programa se consagrou na televisão brasileira.
Dois rapazes concorrendo entre si para ver qual deles consegue “ficar” com mais mulheres nas praias tupiniquins, usando uma sedução cafajeste e alternando o quadro entre tapas e beijos, nos fazem pensar na superficialidade dos relacionamentos amorosos atuais. A história de um homem completamente nu, vagando naturalmente pela maior cidade do país, expõe uma faceta antropológica nas lentes das câmeras, na medida em que este homem consegue entrar em qualquer lugar [público ou privado] apoiando-se unicamente na não-reação das outras pessoas diante de sua nudez e diante da câmera que registra tudo. Uma caricatura de Amy Winehouse com a boca espumando, babando de raiva, gritando como fera e destruindo tudo em seu caminho nos faz lembrar o quanto agüentamos calados os nossos problemas cotidianos. Já a cobertura do Grammy Latino, com versão brasileira acontecendo simultaneamente com a versão oficial, em Houston, levantou dúvidas sobre a qualidade da produção e dos profissionais nativos. A festa avançou em meio a inúmeras falhas logísticas e os convidados subiam ao palco sem saber ao certo o que fazer. O programa, neste ponto, lembrou que o Brasil sediará a Copa do Mundo de futebol em 2014 e ousou zombar da nossa competência para executar este evento com qualidade superior.
Será esta a nova receita do show biz brasileiro? Será esta a fórmula do sucesso de um novo humor na televisão brasileira em oposição aos reality shows e a caricaturização xenofóbica das “minorias”? Espero que sim!

domingo, 16 de novembro de 2008

Segundo dia: similar

Forforescência transgênica
Os dias similares

Nos dias similares, a produtividade não impede a existência de espaços livres de tempos drásticos que convertiam ócio, tédio e trabalho em um único produto. A criatividade é a cognição dos dias similares. Sua cadeia de descontinuidade. Os dias similares são de alta porosidade, absorvem tudo em seu tempo de coincidências, a capacidade temporal é enorme. As manhãs de um mês todo podem coincidir, os melhores prazeres se acumulam nos dias similares.

Mas são dias de luz artificial. Ao caducarem, os tempos drásticos levam consigo a luz do dia, tal como a conhecíamos como a continuidade da noite.

Os dias similares facilitam desdramatizar o amor e dramatizar o humor. Ao transitar por esses dias o efeito surpresa não enfraquece, mas se transforma em um mundo surpreendente. A isso se soma a sensação de não saber optar entre chorar e rir. Uma bela despreocupação flui.

Uma pessoa que habita somente esses dias será facilmente reconhecível por sua melancolia nada regressiva.


Javier Peñafiel. Agenda do fim dos tempos drásticos [fragmento], 2008. Tradução: Suzana Vidigal. Exposto na 28ª Bienal de São Paulo.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Slow bronha?

Recentemente eu recebi um e-mail intitulado A Teoria do Slow. Fazendo uma busca rápida, eu reparei que algumas pessoas também receberam e publicaram o mesmo texto em seus blogs/sites. Como ele me interessou eu também vou publicá-lo aqui, mas com algumas revisões mínimas. Tente[m] ler até o final.

Abre aspasTexto escrito por um brasileiro que vive na Europa.

Já vai para 18 anos que estou aqui na Volvo, uma empresa sueca. Trabalhar com eles é uma convivência, no mínimo, interessante. Qualquer projeto aqui demora 2 anos para se concretizar, mesmo que a idéia seja brilhante e simples. É regra. Então, nos processos globais, nós [brasileiros, americanos, australianos, asiáticos] ficamos aflitos por resultados imediatos, uma ansiedade generalizada. Porém, nosso senso de urgência não surte qualquer efeito neste prazo.

Os suecos discutem, discutem, fazem n-reuniões, ponderações. E trabalham num esquema bem mais slow down. O pior é constatar que, no final, acaba sempre dando certo no tempo deles com a maturidade da tecnologia e da necessidade: bem pouco se perde aqui. E vejo assim:
1. O país é do tamanho de São Paulo;
2. O país tem 2 milhões de habitantes;
3. Sua maior cidade, Estocolmo, tem 500.000 habitantes [compare com Curitiba, que tem 2 milhões]
4. Empresas de capital sueco: Volvo, Scania, Ericsson, Electrolux, ABB, Nokia, Nobel Biocare... Nada mal, não?
5. Para ter uma idéia, a Volvo fabrica os motores propulsores para os foguetes da NASA.

Digo para os demais nestes nossos grupos globais: os suecos podem estar errados, mas são eles que pagam nossos salários. Entretanto, vale salientar que não conheço um povo, como povo mesmo, que tenha mais cultura coletiva do que eles.
Vou contar para vocês uma breve só para dar noção.

A primeira vez que fui para lá, em 90, um dos colegas suecos me pegava no hotel toda manhã. Era setembro, frio, nevasca. Chegávamos cedo na Volvo e ele estacionava o carro bem longe da porta de entrada [são 2.000 funcionários de carro].
No primeiro dia não disse nada,no segundo, no terceiro... Depois, com um pouco mais de intimidade, numa manhã, perguntei:
- Você tem lugar demarcado para estacionar aqui? Notei que chegamos cedo, o estacionamento vazio e você deixa o carro lá no final. Ele me respondeu simples assim:
- É que chegamos cedo, então temos tempo de caminhar - quem chegar mais tarde já vai estar atrasado, melhor que fique mais perto da porta. Você não acha?

Olha a minha cara! Ainda bem que tive esta na primeira. Deu para rever bastante os meus conceitos. Há um grande movimento na Europa hoje, chamado Slow Food.
A Slow Food International Association - cujo símbolo é um caracol, tem sua base na Itália [o site, é muito interessante, veja-o!]. O que o movimento Slow Food prega é que as pessoas devem comer e beber devagar, saboreando os alimentos, curtindo seu preparo, no convívio com a família, com amigos, sem pressa e com qualidade. A idéia é a de se contrapor ao espírito do Fast Food e o que ele representa como estilo de vida que o americano endeusificou.

A surpresa, porém, é que esse movimento do Slow Food está servindo de base para um movimento mais amplo chamado Slow Europe como salientou a revista Business Week numa edição européia. A base de tudo está no questionamento da pressa e da loucura gerada pela globalização, pelo apelo à quantidade do ter em contraposição à qualidade de vida ou à qualidade do ser. Segundo a Business Week, os trabalhadores franceses, embora trabalhem menos horas [35 horas por semana] são mais produtivos que seus colegas americanos ou ingleses. E os alemães, que em muitas empresas instituíram uma semana de 28,8 horas de trabalho, viram sua produtividade crescer nada menos que 20%. Essa chamada slow atitude está chamando a atenção até dos americanos, apologistas de fast [rápido] e do it now [faça já]. Portanto, essa atitude sem-pressa não significa fazer menos, nem ter menor produtividade. Significa, sim, fazer as coisas e trabalhar com mais qualidade e produtividade com maior perfeição, atenção aos detalhes e com menos estresse. Significa retomar os valores da família, dos amigos, do tempo livre, do lazer, das pequenas comunidades, do local, presente e concreto em contraposição ao global - indefinido e anônimo.

Significa a retomada dos valores essenciais do ser humano, dos pequenos prazeres do cotidiano, da simplicidade de viver e conviver e até da religião e da fé.

Significa um ambiente de trabalho menos coercitivo, mais alegre, mais leve e, portanto, mais produtivo em que seres humanos, felizes, fazem com prazer o que sabem fazer de melhor.

Gostaria de que você pensasse um pouco sobre isso...Será que os velhos ditados ‘devagar se vai ao longe’ ou ainda ‘a pressa é inimiga da perfeição’ não merecem novamente nossa atenção nestes tempos de desenfreada loucura? Será que nossas empresas não deveriam também pensar em programas sérios de qualidade sem-pressa até para aumentar a produtividade e qualidade de nossos produtos e serviços sem a necessária perda da qualidade do ser?

No filme Perfume de Mulher, há uma cena inesquecível, em que um personagem cego, vivido por Al Pacino, tira uma moça para dançar e ela responde:
- Não posso, porque meu noivo vai chegar em poucos minutos.
- Mas em um momento se vive uma vida - responde ele, conduzindo-a num passo de tango. E esta pequena cena é o momento mais bonito do filme.

Algumas pessoas vivem correndo atrás do tempo, mas parece que só alcançam quando morrem enfartados, ou algo assim. Para outros, o tempo demora a passar; ficam ansiosos com o futuro e se esquecem de viver o presente, que é o único tempo que existe. Tempo todo mundo tem, por igual! Ninguém tem mais nem menos que 24 horas por dia. A diferença é o que cada um faz do seu tempo. Precisamos saber aproveitar cada momento, porque, como disse John Lennon, a vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro...

Parabéns por ter lido até o final! Muitos não lerão esta mensagem até o final, porque não podem perder o seu tempo neste mundo globalizado. Pense e reflita, até que ponto vale à pena deixar de curtir sua família. De ficar com a pessoa amada, ir pescar no fim de semana ou outras coisas... Poderá ser tarde demais!

Saber aprender para sobreviver.”


Para aqueles que conseguiram ler até o final, ou para aqueles que já haviam visto isso antes, parabéns! Para aqueles que efetivamente adotaram esse estilo todo baiano ser, um estilo maluco-beleza, parabéns!

Mas se você, como eu, não conseguiu aderir completamente, aqui vai um bom motivo para agitar sua mão nervosa sobre algum pênis intumescido: uma coletânea com imagens do JULIUS.

domingo, 2 de novembro de 2008

Primeiro dia: plural

São Paulo em Matrix
Os dias plurais

Nos dias plurais, a hiperatividade está garantida, tudo se reproduz em formato de festival, o ócio adquire uma forma ditada pela maioria. É o lugar do número maior. Milhões de carros transitam ao mesmo tempo, uma pessoa pode conduzir até dois de uma vez, em um estranho concerto a quatro mãos e dois volantes. Nesses dias, as pessoas se desdobram para atingir o todo, multi-instrumentistas de uma proliferação sem freio. As vogais são para o ruído o que as consoantes são para a poluição, a cacofonia está garantida. Nesses dias, fala-se da terceira pessoa do plural, novo organismo institucional que garantirá o colapso brutal de quem elege a prática masoquista contínua.

Nos dias plurais as perguntas proliferam. A indústria farmacêutica cresce com a transformação dos cidadãos em consumidores pelo vício e não pela necessidade. As conversas telefônicas são impossíveis, somente a escrita comunica.

Nesses dias, a polifonia é tão alta que ninguém pode distinguir uma só voz.

Inadequados para o diálogo, abusamos das anotações.

No plural, os jogos em comum tornam-se quase perfeitos, um código erotômano que acontece alegremente.


Javier Peñafiel. Agenda do fim dos tempos drásticos [fragmento], 2008. Tradução: Suzana Vidigal. Exposto na 28ª Bienal de São Paulo.

sábado, 1 de novembro de 2008

Sobre tatuagens... Rolando-1

Tatoo
no Dicionário Aurélio Eletrônico, versão 3.0:
tatuagem
[de tatuar + -agem]
s. f.
1. Processo de introduzir sob a epiderme substâncias corantes a fim de apresentar na pele desenhos e pinturas.
2. O desenho ou pintura feitos por esse processo.
3. Marca, sinal, estigma.

tatuar
[do ingl. (to) tattoo (< s. ingl. tattoo < taitiano tatau, ‘sinal’, ‘pintura’), pelo fr. tatouer]
v. t. d.
1. Fazer tatuagem em; imprimir ou gravar desenho sobre o corpo de.
2. P. ext. Marcar, assinalar.
v. p.
3. Fazer tatuagem em si mesmo, ou deixar que a façam.

Eu sempre quis fazer tatuagens. A idéia de marcar seu próprio corpo com formas, idéias ou sentimentos é-me muito atraente. Sobre esse assunto não reluto; sou plenamente a favor e livre de preconceitos. Apenas prefiro o invariável preto, como nos antigos gibis eróticos do Carlos Zéfiro[+]. Comprei alguns volumes deste tipo de material pornográfico, mas nem sei se eram mesmo do Zéfiro. É o mesmo tipo de trabalho do CD da Marisa Monte.
Pra mim, as cores tiram da tatuagem está condição, já com o preto, os traços não perdem o contraste.

Meu corpo, um gibi... Uma tela, como no filme O livro de cabeceira[+].





Para afogar as mágoas, vou publicar uma nova série de ROLANDO MÉRIDA, em três partes. Eis aqui a primeira: O CIRCO. Note[m] a relação branco-preto nestas imagens e perceba[m] do que eu estou falando.

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